Eu simplesmente babei quando vi Edward, meu instrutor. Ele era simplesmente tudo que eu sempre desejei: com cerca de 24 anos de idade, pele clara, cabelos loiros escuros e harmoniosamente desarrumados, braços torneados, peitoral definido mas não absurdamente grande, além de ser dono de um par de olhos cativante e detentor de um sorriso que derrete qualquer coração. E, é claro, ele derreteu o meu.
E como se não bastasse, quando ele virou percebi um detalhe que quase causou um enfarto fulminante em mim: a bunda dele era uma coisa indescritivelmente gostosa. Redonda, média, volumosa, durinha... E para ser ainda melhor, só faltaria ela ser lisa ou com pêlos ralos. Mas aí já é coisa que não dá para ver no primeiro olhar, pelo menos quando você está na academia.
Ele olhou para mim e disse:
- Olá, tudo bem? Você vai começar hoje, não é? Seu nome é Arthur Ferraù, certo?
Eu pensei: “Sim, cara! Vou começar a malhar hoje mas podemos começar muitas outras coisas a partir de hoje, se você quiser...”
Eu disse:
- Isso. Eu... Eu começo hoje.
- Então vamos começar fazendo alongamento. Vamos lá...
Meu coração acelerou. Além de lindo, gostoso e tudo o mais que eu sempre sonhei, Edward tinha uma voz grossa, porém doce e suave. Para mim, todos os atributos até então percebidos formavam um ser único, e que tinha abalado todas as minhas estruturas, até agora inabaláveis.
Começamos a fazer alongamento e eu prestava atenção em cada uma das palavras dele apenas para ver seus lábios mexendo, o que me deixava doido e em êxtase. Edward observava atentamente cada movimento meu e ia dando as dicas do que fazer:
- Isso! Agora levanta as mãos e faz de conta que você está espreguiçando... Isso!
Fizemos alongamento por cerca de 10 minutos e então ele disse:
- Você já malhou?
- Não. – respondi.
- Qual seu objetivo?
Eu pensei: “Ficar com você.”
Eu disse:
- Quero ganhar um pouco de massa porque estou muito magro.
- Legal. Você tem algum problema de saúde grave?
- Não! – eu disse.
E pensei: “Mas se o tesão que estou sentindo por você nesse momento pudesse ser considerado uma doença grave, eu já estaria em coma!”
- Ok! Vamos fazer supino então. É para o peito e...
Edward começou a explicar para que servia o supino e subimos uma escadaria que nos levou ao segundo andar da academia, onde alguns caras faziam supino também. Tinha um aparelho livre e Edward começou a prepará-lo para mim. Ele disse:
- Vamos começar com dez quilos de cada lado e se estiver leve, você aumenta. Tudo bem? Faz três séries de dez com um minuto de descanso entre elas, enquanto eu vou pegar uma ficha para montar seu treino, ok?
- Sim. Tudo bem! – eu disse.
Eu não conseguia dizer nada além de palavras curtas e com poucas frases. Sim, leitor, eu estava embasbacado com o Edward. Não diria apaixonado pois, para mim, estar apaixonado envolve uma série de outros fatores. Mas eu estava bobo. Muito bobo. Muito bobo mesmo!
Comecei a fazer o exercício que Edward passou enquanto ele desceu e foi pegar minha ficha. Logo depois de terminar a primeira série, sentei para descansar e enquanto isso, observava os outros caras malhando. Percebi então que seria realmente algo difícil aproveitar pelo menos um dos que estavam na academia naquele horário.
Fiz a segunda série e sentei novamente e então vejo Edward subindo a escadaria com um cara, tirando uma dúvida dele sobre o treino. Ele fazia alguns movimentos com o braço atrás da costa, mostrando como fazia o exercício.
O cara que o acompanhava era alto e tinha um corpo interessante, mas antes de dar meu veredicto, precisaria ver a frente para ver se o conjunto me agradava. Os dois começaram a vir na minha direção e eu então percebi que as coisas estavam começando a mudar e que naquela academia tinha poucos caras interessantes para mim. Mas os poucos ‘bonitos’ de lá ofuscavam todos os outros e eu fiquei babando pelo que estava com Edward.
(continua)